A Filipa deslocou-se ontem à CIRV FM, acompanhada de elementos responsáveis pela digressão algarvia ao Canadá, onde concedeu uma entrevista que pôde ser seguida em Portugal através daquela rádio online.
Começando por falar da sua ligação aos Al-Mouraria e do tipo de fado que prefere cantar hoje em dia, sublinhou as influências de Amália Rodrigues e Mariza em jovens como ela. “Comecei a cantar fado após a morte de Amália e na altura em que a Mariza surgiu. Talvez por isso tenha sido “puxada” para o lado novo do fado. Amália deu voz a muitos poetas, será sempre uma referência para qualquer pessoa, e há temas seus que, por muito que o tempo passe, serão eternos”, expressou.
Considerando-se uma cantora versátil, que quer “lutar e subir degrau a degrau” no mundo da música, manifestou sentir-se à vontade a cantar vários estilos, mas ainda não consegue escolher um. “Se eu soubesse responder a essa pergunta, se calhar já estaria aqui de álbum na mão. De momento, sinto-me bem a cantar vários géneros. Preciso disso para crescer como pessoa e artista, e, quando encontrar o meu caminho, ter muita “bagagem” para poder pegar num projecto meu”, salientou. Uma das suas ideias passa por um projecto que inclua diferentes tipos de música, mas ainda tem dúvidas sobre “até que ponto a mistura poderá funcionar”.
Não obstante, a variedade de registos musicais tem vantagens, na medida em que se chega mais facilmente a um público abrangente. “Tanto canto música pop, alegre e recente, que agrada às camadas jovens, como canto fados ou músicas antigas que agradam a outro tipo de público. Pelo menos, até agora não tenho tido queixas”, revelou.
Sobre as solicitações que vai tendo em Portugal, referiu que, este ano, tem tido “mais trabalho sozinha do que propriamente com os Al-Mouraria”, sendo convidada para cantar em diferentes sítios do país.
Falando depois um pouco sobre a génese dos Al-Mouraria, explicou, acerca do nome do grupo, que “Al” é por serem do Algarve, e “Mouraria”, por o fado ter a sua raiz naquele bairro de Lisboa.
De seguida, aproveitou para divulgar o seu site, desafiando a entrevistadora a deixar uma mensagem no livro de visitas.
Quando questionada sobre a importância que possui no meio artístico algarvio, fez alusão, em primeiro lugar, à forma como a música foi surgindo na sua vida. “Comecei a cantar desde pequena, mas nunca levei isso muito a sério. Era uma coisa que eu gostava de fazer e que se foi proporcionando aos poucos. Passei a participar em concursos, ganhei muitos deles, e os convites para espectáculos foram aparecendo”, disse, dando conta de que, para além de cantar pelo país fora, já teve igual oportunidade de o fazer no estrangeiro, nomeadamente em Marrocos e várias vezes em Espanha.
Confrontada com o facto de ser, actualmente, “um ídolo do Algarve”, a Filipa respondeu, com a humildade que a caracteriza: “Não vejo as coisas por aí. O Algarve tem muitos bons artistas. Talvez possam dizer isso, porque estive recentemente num programa de televisão, mas não me considero como tal.”
Por fim, tempo para cantar o tema: Fado é bom pra xuxu, na versão dos Al-Mouraria, merecendo, por parte da sua interlocutora, palavras elogiosas: “Bonita voz, clara e muito bem definida. Muitos parabéns!”